Programado para morrer
Publicado em Link – O Estado de S. Paulo
De Tatiana de Mello Dias
A obsolescência programada reduz a durabilidade de produtos para estimular o consumo, mas um documentário vem mostrar o lado sombrio desta prática raramente admitida pela indústria
A cineasta Cosima Dannoritzer usa o mesmo celular há 13 anos. “Ele nem tira fotos, mas eu tenho uma câmera para isso”, diz. Depois de ouvir lendas urbanas sobre obsolescência programada – a prática da indústria de determinar uma vida útil curta em seus produtos para vender mais –, ela decidiu investigar o tema. E a realidade se tornou ainda mais estranha para ela.
Em seu documentário, The Light Bulb Conspiracy (A conspiração da lâmpada, em inglês), Cosima mostra que a indústria tem práticas escusas para determinar a validade dos seus produtos. E isso ocorre especialmente na indústria da tecnologia.
O caso da primeira geração do iPod é emblemático. Casey Neistat, um artista de Nova York, pagou US$ 500 por um iPod cuja bateria parou de funcionar 8 meses depois. Ele reclamou. A resposta da Apple foi “vale mais a pena comprar um iPod novo”. O caso virou uma ação de rua nos cartazes publicitários da Apple, retratada no vídeo iPod’s Dirty Secret. O filme foi visto por Elizabeth Pritzker, uma advogada de São Francisco. Ela entrou com uma ação coletiva em nome dos consumidores – naquela altura, a Apple já havia vendido três milhões de iPods pelos EUA.
No caso do primeiro iPod, a empresa fez um acordo com os consumidores. Elaborou um programa de substituição das baterias e estendeu a garantia dos iPods por US$ 59. A Apple disse ao Link que “a vida útil dos produtos varia muito com o seu uso”.
“Eu acredito que o desenvolvimento do iPod foi intencionalmente uma obsolescência programada”, diz a advogada no documentário.
De diretora, Cosima abraçou a causa e virou ativista contra o consumismo. “Na indústria da tecnologia, muitos consumidores estão sempre procurando pela última versão, para ter novas funções, mas também para seguir a moda”, afirma. “Muitas formas de obsolescência programada estão juntas. Na forma tecnológica pura, mas também na forma psicológica em que um consumidor voluntariamente substitui algo que ainda funciona só porque quer ter o último modelo.”
Uma dessas travas eletrônicas é a que está em impressoras a jato de tinta. No filme, um rapaz vai à assistência para consertar sua impressora. Os técnicos dizem que não há conserto. O rapaz então procura pela web maneiras de resolver o problema. Ele descobre um chip, chamado Eprom, que determina a duração do produto. Quando um determinado número de páginas impressas é atingido, a impressora trava.
A Epson nega. A assessoria de imprensa afirma que não há nenhum prazo para seus produtos. “Rejeitamos totalmente a afirmação de que eles são fabricados para apresentar defeitos depois de algum tempo”, disse. “A almofada de tinta e o Eeprom mencionados no programa são instalados para manter a alta qualidade da impressora e não para controlar a vida útil do produto.”
Crescimento
A prática, porém, não é de agora. A história da obsolescência programada confunde-se com a história da indústria no século 20. E tudo começou com lâmpadas.
Na década de 1920, um cartel que reunia fabricantes de todo o mundo decidiu que as lâmpadas teriam uma validade: 1.000 horas (embora a tecnologia da época já pudesse produzir lâmpadas mais duráveis, e uma lâmpada de 100 anos que ainda permanece acesa é citada logo no início do documentário). Assim, as empresas conseguiriam garantir que sempre haveria consumidores para seus produtos.
Com a crise de 1929 o consumo caiu. E a obsolescência programada se consolidou como uma estratégia da indústria para retomar o crescimento.
O economista Bernard London foi o primeiro a teorizar sobre a prática. Em 1932, publicou o livro The New Prosperity. O primeiro capítulo deixa claro: “Acabando com a depressão através da obsolescência programada”. Ele sugere que, se as pessoas continuassem comprando, a indústria continuaria crescendo e todos teriam emprego.
Em teoria, diz Cosima, não há nada de errado na obsolescência programada. “Nós não queremos um computador com 20 anos de idade”, exemplifica. “Mas a vida útil dos produtos está se tornando mais curta e não dá para atualizar nada sem jogar o objeto inteiro no lixo”, diz a cineasta.
E é aí que vem a conta. Cosima visitou lixões em Gana, na África, para chegar o final da cadeia produtiva dos eletrônicos de consumo rápido. Viu pessoas serem exploradas em busca dos metais valiosos dos produtos.
“Se eu uso meu celular por dois anos em vez de um, não é um grande sacrifício, mas se todos fizerem isso, significaria que apenas metade dos celulares em desuso seriam enviados para lixões ilegais.”
Para a diretora, a crise mundial mais uma vez pode refletir no comportamento da indústria. Só que, desta vez, ao contrário. Na Consumer Eletronics Show, a CES, maior feira de tecnologia dos EUA, que ocorreu no início do ano, a pirotecnia de lançamentos de aparelhos dividiu espaço com outra tendência: a durabilidade dos produtos. Passou quase despercebido, mas algumas empresas já estão partindo para a “desobsolescência programada”, como escreveu Lance Ulanoff, editor-chefe do site de tecnologia Mashable.
Programado
Ele cita as smart TVs “à prova de futuro” da Samsung, que têm um kit para se manterem atualizadas. “Claramente a Samsung descobriu que os consumidores não estão tão interessados em TVs de alta definição que ficam desatualizadas ou saem de moda em poucos anos de uso”, escreveu. Ele também falou do Motorola Droid Razr Max, smartphone Android, cuja bateria roda até 15 horas de vídeo com uma carga.
“Há empresas que estão vendendo produtos mais duráveis convencendo seus consumidores de que isso é um bom investimento”, diz Cosima. Ela cita no documentário as lâmpadas ultra-duráveis da Philips que ficam acesas por até 25 mil horas. Segundo a assessoria da Philips, os produtos verdes representaram 31% do total das vendas da companhia. Foram mais de 800 lançamentos nessa área nos últimos dois anos.
“A obsolescência programada sempre faz sentido enquanto você pensa em como manter o crescimento da indústria e a criação de empregos a curto prazo”, diz Cosima. “O problema é a longo prazo. Estamos usando nossos recursos naturais e criando montanhas de lixo. A obsolescência programada funcionou bem no passado, mas estamos começando a ver as consequências. É um sistema que não pode ser usado para sempre.”
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Com atraso no mercado digital, Kodak não evita concordata (um convite à reflexão)
Publicado em Bom Dia Brasil
Com o pedido de recuperação judicial, a empresa de fotografia ganha tempo para tentar uma nova reestruturação.
Quem viaja para os Estados Unidos ou para qualquer canto do mundo leva sempre na bagagem uma máquina fotográfica. Antigamente, tinha filme. Mas os tempos mudaram. Que o diga a Kodak.
Luis trabalha com fotografia nos Estados Unidos há 25 anos. Ele não via um filme de rolo há muito tempo. “Há uns 12 anos”, calcula. Ele acompanhou toda a transição da fotografia analógica para a digital. “Mudou completamente no sentido em que você tem um resultado imediato, seja com a câmera do seu celular, que é tão boa quanto a câmera que você compra da loja”, comenta.
Não deixa de ser irônico que um engenheiro da Kodak tenha construído a primeira câmera digital, em 1975. Ela era grande e gravava as imagens em uma fita cassete, com resolução bem baixa.
Era uma época de ouro para a Kodak, que detinha 90% do mercado de filmes fotográficos. Talvez exatamente por isso, a companhia não quis investir em uma máquina que dispensava seu produto mais lucrativo: o filme que ajudou a registrar momentos marcantes da história, como a primeira viagem do homem à Lua.
A concorrência decidiu apostar na fotografia digital. A Kodak entrou atrasada nesse mercado.
Para recuperar o tempo perdido, a empresa cortou custos, demitiu trabalhadores e tentou se reorganizar, mas não conseguiu evitar a concordata.
Com o pedido de recuperação judicial, a empresa ganha tempo para tentar uma nova reestruturação. Trata-se um esforço para não ficar somente nas lembranças de quem compartilhou a história da empresa.
Leia mais em Bom Dia Brasil.
Leia também em The Wall Street Journal (Kodak pede concordata na esperança de se renovar).
Comentário meu: Não sei se arrogância empresarial, incompetência administrativa, vaidade dos líderes (alta liderança) ou falta de visão (exercício de visualizar o futuro e seus desdobramentos). Mas o caso Kodak, como tantos outros, é um bom exemplo para aprendermos com as falhas de outras empresas. Por mais de 30 anos tenho como hobby fotografia. Vivi (e ainda vivo) a transição da fotografia química para a digital. Jamais pude imaginar que a Kodak, como a Pan Am, um dia estivesse em uma situação de recuperação judicial. O sucesso de ontem ou de hoje não é garantia para o sucesso futuro. Se bem que a Kodak ainda tem o mercado de filmes de aplicação na medicina, como as radiografias. Até quando?
A onda é terceirizar para a multidão
Publicado em The Wall Street Journal
De RACHEL EMMA SILVERMAN
Quando a AOL Inc. tentou determinar no ano passado se estava fazendo o melhor uso de seu arquivo de vídeos, a tarefa exigiu uma contagem para medir quais das milhares de páginas da internet que publica diariamente tinham vídeos.
Daniel Maloney, o executivo da AOL encarregado do projeto, cogitou criar um software para detectar vídeos, mas percebeu que demoraria demais para o prazo final do projeto. Ele pensou em contratar temporários para realizar a tarefa, mas percebeu que isso também demoraria.
Então ele se voltou para outra opção que tem ganhado espaço nas grandes empresas: o "crowdsourcing", algo que pode ser traduzido como "terceirizar para a multidão".
Isso implica em dividir o projeto em tarefas minúsculas e entregá-las ao público por meio de anúncios num site. Muitas empresas que usam o crowdsourcing pagam centavos por microtarefa para concluir projetos como rotular e verificar dados, digitalizar formulários preenchidos a mão e inserir informações em bancos de dados. Dezenas de serviços, como o Mechanical Turk, da Amazon.com Inc., e o CrowdFlower surgiram nos últimos anos nos Estados Unidos para ajudar empresas a realizar tarefas de maneira barata usando o crowdsourcing.
As empresas que já realizaram projetos desse modo afirmam que geralmente é mais barato e rápido que usar funcionários temporários ou as firmas tradicionais de terceirização. A mão-de-obra do crowdsourcing custa menos da metade da cobrada pela firma típica de terceirização, diz Panagiotis G. Ipeirotis, professor da Escola de Administração Stern, da Universidade New York, e estudioso do crowdsourcing.
Algumas microtarefas podem demorar poucos segundos e pagar alguns centavos. Tarefas de redação ou transcrição, mais complexas, podem pagar de US$ 10 a US$ 20 cada, enquanto os trabalhos altamente especializados, como escrever códigos de programação, valem ainda mais.
A AOL acabou usando para seu projeto de vídeo o Mechanical Turk, um serviço de crowdsourcing que tem mais de 500.000 usuários registrados de 190 países diferentes. A Amazon afirma que empresas como a Microsoft Corp. e a LinkedIn Corp. já usaram seu serviço, pelo qual a Amazon cobra 10% do custo total da mão-de-obra.
A AOL pediu que os envolvidos no projeto do vídeo determinassem se as páginas dos seus sites tinham vídeo e identificassem a fonte e a localização da página.
O projeto começou a operar em apenas uma semana, diz Maloney, e só demorou alguns meses para ser concluído, bem menos do que demoraria se a empresa tivesse de realizar entrevistas para contratar temporários ou criasse um programa para realizar a tarefa. A AOL não quis informar qual foi exatamente o custo do projeto, mas Maloney diz que custou tanto quanto o salário de dois funcionários temporários trabalhando no mesmo período.
Para as empresas, a dificuldade é determinar a qualidade dos colaboradores desses projetos — o trabalho é feito em pequenos segmentos por um grupo grande. Algumas firmas de crowdsourcing dizem que incluem nas tarefas vários testes para determinar a precisão dos trabalhadores.
A InsideView Inc., uma firma de San Francisco que filtra dados para equipes de venda, contratou a CrowdFlower para um projeto de coleta de dados ano passado. A CrowdFlower dividiu as tarefas em passos simples e, para garantir a qualidade, faz questionários com os colaboradores e determina suas notas de acordo com pontuações geradas por computador.
"Você não tem ideia de quem está fazendo o trabalho", diz Gordon Anderson, vice-presidente de conteúdo da InsideView. "Pode ser uma dona de casa em Iowa ou alguém num campo de refugiados da Índia."
Outra preocupação é que terceirizar tarefas para o crowdsourcing pode criar o que o professor Jonathan Zittrain, da Faculdade de Direito da Universidade Harvard, chama de "digitalização do trabalho escravo", em que trabalhadores menores de idade podem trabalhar turnos excessivos em tarefas repetitivas por muito pouco — ou, se o projeto é estruturado como um jogo, sem qualquer remuneração. Os sites de crowdsourcing geralmente oferecem trabalho para donas de casa ou estudantes que podem receber poucas tarefas para trabalhar em seus intervalos.
Numa recente pesquisa de 1.046 trabalhadores ativos da Mechanical Turk nos EUA, cerca de 25% dos pesquisados disseram que seu trabalho para crowdsourcing representava menos de 10% de sua receita anual, segundo o relatório do estudo feito pela CrowdControl, empresa que administra projetos de crowdsourcing. Mais da metade desses trabalhadores era de mulheres, e a maioria deles tinha de 26 a 35 anos, segundo o relatório.
Projetos terceirizados para a multidão podem ser usados para apoiar trabalhadores que têm poucas opções. A empresa sem fins lucrativos Samasource, de San Francisco, por exemplo, se especializa em dar microtarefas, tais como verificar endereços de empresas, para trabalhadores na África.
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Coca-Cola se mantém no topo da lista das marcas mais valiosas
Publicado em Folha de S. Paulo
A Coca-Cola se manteve em 2011 no topo da lista das marcas mais valiosas, apontou o relatório "Melhores Marcas Globais", da Interbrand. O valor da companhia de bebidas ficou em US$ 71,8 bilhões.
Somado, o valor das cem marcas é de US$ 1,26 trilhão.
A novidade entre as dez maiores foi a Apple, que subiu nove degraus e desbancou a fabricante de eletrônicos Nokia. Ela também foi a que mais se valorizou. A maçã mordida passou a valer US$ 33,4 bilhões, 58% mais ante 2010.
O Google se valorizou em 27%, para assegurar a quarta posição. Já a Amazon foi a marca que mais galgou posições. Avançou dez colocações e fechou o ano no 26° posto, valendo US$ 12,7 bilhões.
Algumas marcas estrearam entre as cem mais valiosas. Foram as empresas de eletrônicos HTC (98°), a montadora Nissan (90°) e a fabricante de máquinas agrícolas John Deere (97°).
Dominando seis dos dez primeiros postos, as empresas do setor de eletrônicos, softwares e de serviços para internet somaram 29 na lista.
A área de serviços financeiros contou com 13 representantes, como a American Express (23ª). Ao todo, foram 12 montadoras. A Toyota, em 11°, foi a mais bem colocada.
Diogo Shiraiwa/Editoria de Arte/Folhapress

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Novo Windows 8 pode mudar o jogo para a Intel
Publicado em The Wall Street Journal
De DON CLARK
A Microsoft Corp. abalou o setor the tecnologia um ano atrás com uma mudança radical na sua estratégia, um plano para desenvolver uma nova geração de software que não depende tanto dos chips fabricados pela sua parceira de 30 anos, a Intel Corp.
Um ano depois, não ficou claro se essa mudança ajudará muito a gigante do software a tirar o seu atraso no setor de aparelhos móveis — ou se será assim tão ruim para a Intel quanto pareceu no início.
Executivos da indústria acreditam que o Windows 8 só vai ficar disponível no segundo semestre. Mas a discussão sobre as consequências do novo sistema operacional já está ganhando força. O Windows 8 inclui uma interface ativada por toque que deverá ajudar a Microsoft a competir com a Apple Inc. e outras companhias no mercado de tablets.
O que torna o Windows 8 diferente de tudo que a Microsoft já fez é que o sistema roda em chips do tipo usado em telefones celulares, baseados em projetos licenciados pela ARM Holdings PLC, assim como nos chips x86 que a Intel e a Advanced Micro Devices Inc. vendem para computadores.
Fornecedores de chips ARM, como a Qualcomm Inc., afirmam que o Windows 8 vai colocar, pela primeira vez, os seus chips em notebooks.
Já a Intel observa que o novo software ajudará a colocar os seus chips em muitos tablets. "Nós estamos muito motivados com o Windows 8", disse o diretor-presidente da Intel, Paul Otellini, durante uma conferência com investidores em novembro. "Acredito que é uma das melhores coisas que já aconteceu para a nossa empresa."
Otelline deverá discutir o assunto durante seu discurso, hoje, na CES, a feira de eletrônicos de Las Vegas. O tema também estava para ser discutido ontem à noite, quando o diretor-presidente da Microsoft, Steve Ballmer, tinha palestra marcada no evento.
Qualquer incerteza sobre uma versão do Windows é uma exceção na história da indústria de PCs. Cada novo sistema operacional da Microsoft tradicionalmente exigiu chips mais potentes da Intel. Com isso, a dupla, às vezes chamada de Wintel, abocanhava o grosso dos lucros do setor.
Mas as vendas de PCs estão caindo. A firma de pequisa Gartner Inc. estima que o mercado encolherá 1% este ano, para US$ 233 bilhões, mas afirma que as vendas de tablets crescerão 53%, para US$ 50 bilhões.
A Microsoft, que antigamente não tinha páreo entre os empresas de software, foi perdendo terreno à medida que o iPhone e o iPad, ambos da Apple, e dispositivos que usam o sistema operacional Android, da Google Inc., deram forma a um novo mercado de aplicativos para aparelhos móveis.
Para a Microsoft, a aposta não poderia ser mais alta. O Windows 8 "é onde a Microsoft está se segurando para continuar relevante", diz Phil McKinney, que até o mês passado era diretor de tecnologia da divisão de PCs da Hewlett-Packard Co. Mas ele acrescenta: "De certa forma, ele rompe a família Wintel."
Analistas e executivos da indústria veem algumas promessas técnicas no Windows 8, mas dizem que não está nada claro se ele vai ajudar a Microsoft no mercado de tablets, no qual mesmo aparelhos usando o Android penaram para ganhar espaço entre os iPads da Apple.
A maior vantagem do Windows 8 é que ele parece mais com um software de PC. Isso, mais as funções de segurança que vêm com o Windows, podem atrair usuários corporativos até agora hesitantes em relação aos tablets.
O Windows 8 traz uma nova interface à base de toque, chamada Metro, com o último software da Microsoft para celulares e o seu popular painel Xbox de videogame. Pequenas janelas na tela mostram texto e imagens móveis, sem precisar abrir um aplicativo.
Mas os concorrentes não estão parados. A Google está desenvolvendo o seu tão esperado sucessor do Android, batizado de "Ice Cream Sandwich" ou "sanduíche de sorvete".
Trata-se, em essência, de um único sistema operacional para smartphones e tablets, ao contrário das versões anteriores do Android para esses produtos, que tinham códigos diferentes.
"O Ice Cream Sandwich resolve um problema enorme", diz Jen-Hsun Huang, diretor-presidente da Nvidia Corp. A empresa dele, que vende chips ARM, espera que eles sejam usados tanto nos aparelhos com o software da Google quanto naqueles com o Windows 8.
A Intel também está tomando suas precauções, adotando ao mesmo tempo o Windows 8 para PCs e tablets e o software da Google para smartphones. Tendo sido em grande parte alijada desse mercado, a Intel está pouco a pouco aumentando a eficiência dos seus chips para competir melhor com os da ARM. Otellini deve anunciar novos clientes no mercado de smartphones, no seu discurso hoje.
Ainda assim, a Intel e a Microsoft não devem tão cedo aumentar a sua participação no mercado de aparelhos móveis. Por isso, a Intel talvez use a feira de Las Vegas para promover laptops finos, ou Ultrabooks.
Empresas que empregam chips ARM terão seus próprios desafios usando Windows 8 em PCs portáteis, diz Pat Moorhead, um pesquisador independente do mercado que já foi vice-presidente da AMD.
Para começar, essas máquinas não vão rodar os aplicativos atuais do Windows, mas laptops equipados com os chips x86 da Intel ou AMD vão. Essas diferenças podem confundir alguns usuários, a não ser que os produtos venham com marcas diferentes.
"Como a Microsoft vai promover o que é basicamente duas capacidades diferentes das máquinas com Windows?"diz Moorhead.
E há ainda a programação adicional requerida pelos chips ARM, que a indústria não acredita está tão adiantada quanto à dos chips x86, embora usuários do ARM acreditam que ficará pronta a tempo.
A questão principal é "quando nós vamos ultrapassar a linha de chegada", diz Rob Chandhok, vice-presidente sênior de estratégia de software da Qualcomm.
Mesmo que leve três ou quatro anos, os chips ARM vão no final tomar uma fatia considerável do mercado de PCs, diz Henri Richard, vice-presidente sênior da Freescale Semiconductor Inc., que também usa a tecnologia. "Eu não acredito que o final da história esteja em dúvida neste momento", disse ele.
Bill Calder, que é porta-voz da Intel, discorda. "Nós vendemos centenas de milhões de aparelhos Windows", diz ele. "Ninguém aqui acha que isso vai mudar com a próxima geração."
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Previsões para 2012
Material extraído do Blog da Miriam Leitão com previsões para a economia em 2012. Vale registrar e conferir em 2013. Aos leitores do meu blog desejo felicidades em 2012.
Cenário Melhor
Economistas do governo trabalham com o cenário de que o ano pode não ser tão ruim quanto alguns líderes europeus estão dizendo. Angela Merkel e Nicolas Sarkozy disseram que 2012 será pior que 2011. Em Brasília, há a esperança de que a partir de meados do ano a situação melhore. Mesmo assim, sabe-se que haverá muito estresse.
O Banco Central se prepara para o anúncio do IPCA na sexta-feira. Provavelmente, a inflação de dezembro vai mostrar que a meta foi ligeiramente descumprida. O argumento já explicitado pela Fazenda é que se ficar abaixo de 6,55% a meta terá sido cumprida. Na verdade, qualquer coisa acima de 6,50% é estouro do teto da meta.
O argumento não é brigar com a segunda casa decimal depois da vírgula, mas sim o de mostrar que o ano foi difícil para todos. Mesmo os que enfrentaram quadro recessivo estão com inflação acima da meta. No Reino Unido, por exemplo, onde a meta é 2%, a inflação está em 4,4%. A Zona do Euro tem meta informal de 2% e tanto Alemanha quanto França estão acima disso. Os EUA não tem meta explícita, mas buscam 2% e a taxa está em 3,4%.
Nos países que cresceram mais fortemente, a taxa está muito alta. Como na Índia, em 8,5%. Na China, o número é divulgado pelo Conselho de Estado com todos os filtros e manipulações que se pode imaginar. Mesmo assim, eles admitem que a inflação passou o ano inteiro acima dos 4%, que é a meta do país.
A inflação de 2011 no mundo foi impactada pela política de expansão monetária e fiscal adotada para enfrentar a crise de 2008/2009. O importante no caso do Brasil é que a inflação inverteu a curva e o governo Dilma tem demonstrado que quer impedir que ela fuja do controle. Certas políticas e discursos entram em contradição com o objetivo da inflação controlada. Mesmo assim, a taxa que já tinha ultrapassado 7,3% caiu nos últimos meses.
Para 2012, o BC deve demonstrar empenho para levar a taxa ao centro da meta até dezembro, como prometido pelo presidente Alexandre Tombini. O problema é que este ano há pressões inflacionárias e muita incerteza.
O que se diz no governo é que o cenário externo terá momentos de estresse bancário, mas que do ponto de vista da administração governamental da crise a situação pode estar começando a melhorar. Depois de meses muito difíceis, principalmente outubro e novembro, os dois maiores líderes da Europa entraram em acordo e desenharam uma solução parecida com a Lei de Responsabilidade Fiscal brasileira.
A explicação que ouvi é que apesar de não haver, como no Brasil, uma forma clara de a União punir os que descumprirem as regras fiscais, a Europa está criando mecanismos de constrangimento para que os países sigam os limites. A Espanha mesmo não cumprindo o número está fazendo esforços enormes para controlar as contas. Itália e Grécia têm governos técnicos que perseguem reformas. A solução já estaria desenhada, sendo necessária apenas a formalização disso. Pode levar alguns meses, mas já está sendo encaminhada. A França passará por um momento mais difícil até maio, quando será a eleição, principalmente se a nota da dívida for rebaixada, mas o segundo semestre pode ser melhor do que o primeiro, de acordo com essa avaliação.
Os momentos mais difíceis do ano serão vividos no mercado bancário porque as instituições terão que se esforçar para cumprir a exigência de aumento de capital, ao mesmo tempo em que alguns bancos serão alvo de desconfiança. Os bancos mais frágeis terão que tentar se capitalizar e enfrentar dificuldade de captação.
O Brasil está preparado para os vários cenários, garante-se no governo. Considera-se que qualquer que seja a turbulência do ano não deve ser tão grave quanto a de 2008. Sobre a conjuntura brasileira a avaliação é a de que o país começa o ano fraco, em termos de atividade, mas depois aumentará o ritmo e que no segundo semestre o país vai crescer mais do que no primeiro. No ano, o país deve crescer por volta de 3,5% mesmo que a Europa continue parada; os EUA, com leves sinais de melhora; e a China, com pequena desaceleração. A conclusão feita é que o Brasil está se saindo bem desse período de enorme incerteza no mundo, ao conseguir evitar o descontrole inflacionário e a recessão.

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2012 não será fácil para os bancos europeus
Há preocupação com os bancos europeus este ano. Conversei sobre isso com economistas do governo que estão mapeando os riscos que podem haver em 2012 para o Brasil se preparar para qualquer cenário.
Um deles prevê que, em algum momento, haverá estresse bancário. As instituições financeiras estrangeiras, que emprestaram muito aos governos, estão com dificuldades há tempos. Quando há a ameaça de um governo não pagar sua dívida, os bancos que emprestaram para esses países são olhados com desconfiança.
A Grécia, por exemplo, disse esta semana que talvez saia do euro, voltando para a moeda nacional. Isso cria uma confusão grande: quem emprestou para a Grécia em euro, por exemplo, receberia em que moeda?
Além dessas dificuldades, as autoridades bancárias europeias elevaram a exigência de capitalização desses bancos. Fizeram isso para aumentar a segurança do sistema bancário. Só que, hoje em dia, um banco já olha para o outro com desconfiança, o que trava o mercado interbancário. E essa situação pode piorar se ficarem mais explícitas as dificuldades de um ou outro banco e, além disso, há o fato de que estarão precisando de capital.
Em 2008 e 2009, os governos capitalizaram os bancos, mas agora são eles que estão em dificuldade. Algumas instituições financeiras talvez tenham que ser compradas por outras ou fechadas. Ao longo do ano, haverá alguma confusão bancária, principalmente na Europa.
O governo diz que o Brasil está preparado caso haja um episódio de estresse bancário. Se houver, acha que não será tão grave quanto o da época da quebra do Lehman Brothers, que parou completamente o crédito internacional. À época, o BC usou as reservas cambiais para ajudar, momentaneamente, os bancos. Depois, elas foram recuperadas. Hoje, estão em US$ 350 bilhões, muito acima dos US$ 50 bilhões de 2005.
O governo espera alta de 3,5% do PIB em 2012, o que seria um bom resultado, segundo ele, diante do confuso cenário internacional.
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América Latina: desafios na economia e na política em 2012
Com a persistente crise na Europa e o crescimento a passos de tartaruga dos EUA, não são poucos os desafios que as principais economias da América Latina têm pela frente em 2012. Para complicar, este também será um ano de eleições na Venezuela, no México e nos EUA, que não pertencem à região, mas seja lá qual for o resultado das urnas, acabará afetando toda a América Latina em tempos de globalização.
Tentar prever se a inflação continuará pesando no bolso dos consumidores argentinos e venezuelanos, por exemplo, é tão importante quanto fazer algumas perguntas. A primeira delas é: Chávez continuará no poder, dando início a um terceiro mandato que só terminaria em 2019, ou será que a oposição, munida com os dados de violência em alta e de crescimento em queda, conseguirá convencer o eleitorado, faturando as eleições de 7 de outubro?
No horizonte do México, as incertezas também passam pela política, mas na economia, uma coisa é certa: o PIB vai desacelerar. E fica a pergunta: Será que o PRI, que governou o país durante 70 anos e é favorito nas pesquisas, voltará ao poder depois de 12 anos? E a estratégia para combater o tráfico continuará sendo a do enfrentamento, que já matou tanta gente?
Depois de se recuperar de uma recessão forte, por causa da crise de 2008, que fez a economia encolher 6,1% em 2009, o país cresceu 5,4% em 2010 e deve avançar 4% em 2011, segundo previsão do Itaú Unibanco. Mas para este ano estima-se uma desaceleração significativa, com o desempenho da economia mexicana se aproximando do dos EUA. O banco prevê, por exemplo, crescimento de 2,5% e aceleração da inflação.
- Agora as exportações estão se desacelerando com força. No terceiro trimestre, tiveram crescimento próximo a zero, sugerindo que a expansão via ganho de mercado nos EUA está se esgotando – diz relatório do Itaú Unibanco enviado ao blog.
As previsões para a Argentina
Com a piora do cenário externo e maior controle de capitais em resposta à queda das reservas, a Argentina também deve ter crescimento menor em 2012:
- Esperamos uma desaceleração da economia argentina. O crescimento deve recuar de 5,5% para 3% com inflação elevada – diz o economista argentino Fausto Spotorno, da consultoria Orlando Ferreres e Associados.
Em relatório, Ilan Goldfajn, do Itaú Unibanco, diz que alguns passos foram dados na direção certa desde que Cristina Kirchner foi reeleita, mas que ainda há muito a ser feito:
- Os cortes de subsídios por enquanto representam uma economia de apenas 0,2% do PIB, enquanto que a fatura total com subsídios paga pelo setor público é 15 vezes maior – explica.
Os desafios do Chile
No Chile, a economia vai bem, obrigado, mas a popularidade do presidente Sebastián Piñera segue ladeira abaixo. Com 23% de aprovação, conseguiu a façanha de registrar o índice mais baixo desde o fim da ditadura, segundo o Centro de Estudos Públicos. Vale lembrar que 2011 foi o ano de protestos nas ruas contra o sistema educacional.
Uma fotografia da economia, no entanto, mostra um país com consumo privado e investimentos em alta e mercado de trabalho aquecido. Em novembro, a taxa de desemprego ficou em 7,1%, a mais baixa em mais de dez anos. Por isso, o Itaú Unibanco acha que o país deve ter crescido 6,1% no ano passado e pode avançar 4,2% em 2012.
Na Colômbia, reformas; no Peru, crescimento forte
Na Colômbia, 2011 foi ano de crescimento forte, inflação no teto da meta e reformas. A recompensa veio com a elevação da nota do país pelas três principais agências de classificação de risco para grau de investimento.
Em 2012, por conta do crescimento menor da economia mundial, o país avançará menos, segundo as previsões, assim como o Peru.
Economistas estimam que o país que elegeu este ano Ollanta Humala para presidente cresceu 7% em 2011, puxado pelo aumento da demanda doméstica. Este ano, pode avançar 5%, abaixo da média dos últimos cinco anos, segundo o Itaú Unibanco.
Na avaliação da economista Patricia Gabaldón, professora do IE Business School, escola de negócios de Madri, os desafios que a América Latina enfrenta em tempos de crise externa são parecidos. Mas pode aproveitar a oportunidade para corrigir deficiências:
- A economia da região é especialmente dependente da exportação de matérias-primas para a China, o que a faz muito vulnerável em relação a possíveis mudanças na demanda deste país. Por outro lado, este aumento das exportações está gerando muitas oportunidades de crescimento. É o momento de aproveitar a entrada de recursos para melhorar a competitividade – diz.
Leia mais em Blog da Miriam Leitão.
Empresas enfrentam desafios para usar o Twitter
Publicado em The Wall Street Journal
De ELIZABETH HOLMES
Quem haveria de pensar que digitar mensagens tão curtas poderia ser tão complicado?
Nestas alturas, até as empresas mais conservadoras já encontraram o caminho para o Twitter.
O serviço, que permite ao usuário enviar textos de 140 caracteres, ou tweets, para as pessoas que se inscreveram para segui-los, já se revelou um meio eficaz para atingir os clientes mais jovens e ajudar na construção da marca.
![[wsjamb1dec13]](http://si.wsj.net/public/resources/images/OA-AZ798_wsjamb_NS_20111212185705.jpg)
Mas há o outro lado. O site, que já tem quase seis anos de existência, tornou-se um veículo extremamente público para reclamações, e tweets mal pensados, ou contas invadidas por hackers já causaram muitos embaraços.
Em março a montadora Chrysler Group LLP cortou os laços com a agência que tinha sua conta no Twitter depois que esta enviou um tweet onde se lia: "Acho irônico que Detroit seja conhecida como #motorcity, mas ninguém aqui sabe dirigir p. nenhuma".
A Kenneth Cole Productions Inc. pediu desculpas depois de fazer uma piada em sua página do Twitter sugerindo que os manifestantes egípcios que derrubaram o governo do país no início do ano estavam, na verdade, suplicando pelas roupas da empresa. "Milhões estão em revolução no #Cairo. O boato é que eles souberam que nossa nova coleção de primavera já está on-line", dizia o tweet.
Na semana passada, a American Airlines, da AMR Corp., se viu no meio de uma discussão pública quando o ator Alec Baldwin desabafou no Twitter por ter sido retirado de um voo da empresa.
"A comissária de bordo da American me chutou para fora por jogar WORDS W FRIENDS", disse Baldwin no tweet, referindo-se a um jogo para celular tipo palavras cruzadas.
A American respondeu via Twitter pedindo seu contato. No dia seguinte, a American mandou este tweet: "Fatos sobre o passageiro retirado ontem", com um link para um comunicado que dava um relato bem menos lisonjeiro do comportamento do passageiro, sem mencionar o nome de Baldwin. O ator desativou sua conta no Twitter após o incidente e pediu desculpas aos demais passageiros do voo.
As empresas estão adotando diversas estratégias para evitar as armadilhas do Twitter. Um dos maiores dilemas é para quantos funcionários confiar a conta da empresa. Se houver poucas pessoas com autoridade para postar tweets, a carga pode ser esmagadora. Se houver muitas, o risco de acidentes se multiplica. Eis aqui como duas empresas muito diferentes lidam com a tarefa:
Southwest Airlines
Cerca de 10 pessoas trabalham com a conta da Southwest, respondendo a perguntas sobre bagagens extraviadas, voos atrasados e cupons perdidos.
A Southwest abriu a sua conta, @SouthwestAir, em 2007, inicialmente sob a supervisão do departamento de publicidade, mas depois a passou para o departamento de relações públicas, sob o comando da especialista em redes sociais Christi McNeill.
McNeill logo viu que não tinha conhecimento ou autoridade suficientes para responder a alguns tweets.
Este ano o departamento de comunicações uniu-se à equipe de relações com o cliente para recrutar e treinar empregados para responder a perguntas no Twitter. Pelo menos uma pessoa de cada divisão monitora a conta, das 5 da manhã às 11 da noite, hora da região central dos Estados Unidos, cobrindo os horários de voos da Southwest.
Best Buy
A grande varejista americana de eletrônicos empregou um exército de colaboradores para lidar com suas várias contas no Twitter. A principal, @BestBuy, envia seus próprios tweets, mas também incorpora alguns de contas mais especializados, como a de promoções @BestBuy_Deals e a de tecnologia @GeekSquad.
O braço do Twitter do departamento de atendimento ao cliente da BestBuy, com o nome de perfil @Twelpforce, exemplifica a estratégia da empresa em relação à rede social: agir com força total.
Os tweets dirigidos ao atendimento ao cliente são respondidos por um dos 3.000 funcionários que se inscreveram para a tarefa desde que o serviço foi lançado, há dois anos, diz Gina Debogovich, supervisora das atividades de redes sociais da empresa.
Deixar que um grande número de funcionários participem possibilita à empresa cobrir muitas áreas de especialização, diz Debogovich. Em geral, as perguntas são sobre algum produto em que o cliente está interessado em comprar. "Muitas vezes não existe uma única resposta certa", diz ela.
Para fazer parte da @Twelpforce e outras ações de mídia social, a Best Buy exige que os funcionários se inscrevam através de um site que verifica sua situação na empresa e estabelece termos e condições. A empresa apresenta aos candidatos um vídeo interno e a sua política para redes sociais, e proíbe coisas como divulgar dados financeiros não públicos e informações pessoais dos clientes, explicando o que ela chama de diretrizes de utilização saudável para os participantes da @Twelpforce. "Lembre-se, sua responsabilidade para com a Best Buy não termina no fim do expediente," dizem as diretrizes.
Leia mais em The Wall Street Journal.
Escritório com jeito de academia de ginástica
Publicado em O Estado de S. Paulo
Para reduzir custos de assistência médica, empresas estimulam funcionário a se exercitar até na própria mesa de trabalho
De Eric V. Copage, The New York Times
Permanecer sentado por longos períodos é prejudicial ao corpo. É péssimo para a coluna e provoca flacidez dos músculos. Reduz o ritmo dos processos que metabolizam as calorias, aumentando o risco de obesidade, diabetes, doenças cardíacas e tipos de câncer.
As pessoas talvez pensem que estão se protegendo destes problemas praticando exercícios fora do expediente. E é provável que os empregadores se gabem de subsidiar as aulas de ginástica para os seus funcionários na academia. Mas algumas pesquisas mostram que o exercício regular não compensa totalmente a interrupção dos processos químicos nos longos períodos durante os quais eles ficam sentados.
Agora existe uma solução para os males do sedentarismo: Procure levantar ou ficar de pé enquanto trabalha, usar as escadas em vez do elevador, ou mesmo andar até a mesa de um colaborador em vez de mandar uma mensagem. Cada pequeno gesto destes ajuda.
Alguns empregadores resolveram inclusive dar um passo adiante, incorporando a ordem "mova-se enquanto trabalha" à filosofia da empresa. Eles esperam com isto melhorar a saúde dos funcionários e reduzir ao mesmo tempo os custos da assistência médica.
Esteiras. Salo, uma empresa de seleção de funcionários de Minneapolis, por exemplo, aconselha a fazer as reuniões andando. Numa sala de reuniões, a Salo instalou quatro mesas sobre esteiras, com uma superfície de trabalho de altura ajustável. As mesas ficam umas em frente às outras, de maneira que as pessoas possam caminhar e cuidar ao mesmo tempo dos seus afazeres.
"Foi preciso tempo para a gente se acostumar", disse Craig Dexheimer, diretor de operações e administração da Salo. "É normal caminhar e conversar na academia, mas fazer isto num escritório pareceu um pouco estranho no começo". Em uma sala separada, a empresa instalou seis mesas sobre esteiras, equipadas inclusive com computadores. Os funcionários podem usá-las numa sessão de trabalho em movimento.
Em 2007, Dexheimer ajudou a organizar um estudo chefiado pelo Dr. James A.Levine, um pesquisador da Clínica Mayo, sobre os efeitos do aumento dos exercício físico no local de trabalho.
Durante seis meses, as atividades de 18 funcionários – inclusive Dexheimer – foram monitoradas por um aparelho colocado em seus cintos. Com a ajuda de equipamentos, como as mesas sobre as esteiras e fones de ouvido sem fios que permitem andar conversando ao telefone, os funcionários perderam mais de 75 quilos no total. Suas taxas de colesterol e triglicérides também mostraram uma queda coletiva. Dexheimer disse que perdeu 12,5 quilogramas, e agora mantém o peso.
Para alguns trabalhadores, fazer pequenas pausas para se exercitar pode ser prático e eficiente. É uma estratégia usada na HealthBridge, uma clínica de Great Neck, Nova York, onde o local de trabalho muitas vezes parece uma academia. Durante uma pausa, um funcionário pode exercitar os bíceps com garrafas de água, enquanto outro apoia as costas ao balcão onde fica a copiadora do escritório, com as mãos apoiadas sobre o balcão na mesma distância dos ombros, fazendo mergulhos dos tríceps.
Há dois anos, quando o dr. David G. Edelson, o fundador da clínica, sugeriu que fossem incorporadas pausas para exercícios leves e movimentos no expediente de trabalho, a reação geral foi: "Vamos mesmo ter de levantar e fazer essas coisas?" disse Jennifer Alexatos, a gerente de marketing da clínica. "Muitos riram e caçoaram". Mas desde então o programa foi adotado pela maioria dos 25 empregados da clínica, disse Jennifer, que faz duas pausas de dez minutos para exercícios todos os dias.
Leia mais em O Estado de S. Paulo.
Redes sociais abrem nova gama de opções para bajular chefes
Publicado na Folha de S. Paulo
De Lucy Kellaway, do Financial Times (tradução de Paulo Migliacci)
Matthew é um burocrata britânico esperto e decente. Não o conheço em pessoa, mas conheço um amigo dele.
Esse amigo me enviou um post curto de Matthew no Facebook, no qual ele afirma: "Meu chefe. Um homem sensato e de princípios", e oferece um link para uma entrevista do chefe disponível no YouTube.
Todos sabemos há muito que o Facebook é capaz de destruir carreiras; se você posta comentários negativos sobre sua empresa na internet, pode terminar demitido.
Mas agora é preciso absorver outra mensagem, mais preocupante. Postar bajulações no Facebook pode ser benéfico para quem o faz.
Antigamente, a gama de opções para bajulação era limitada. A prática ficava confinada ao escritório. No entanto, agora que a divisão entre lar e escritório ficou no passado, a arte do puxa-saquismo está exposta em público para que todos vejam.
Uma boa maneira é postar comentários favoráveis nos blogs da empresa ou no YouTube. Também há o botão de "curtir" do Facebook. E o LinkedIn oferece a oportunidade de escrever grandes elogios aos superiores. Um advogado da City de Londres que eu conheço tem uma página de perfil repleta de comentários de subordinados para atestar que ele é um líder visionário e um sujeito excelente.
GRUPO DE APOIO
Acima de tudo, as pessoas trocam lisonjas no Twitter. De fato, essa parece ser a principal função do site: uma espécie de grande grupo de apoio instantâneo e eletrônico. Outro dia, um leitor me escreveu perguntando sobre a nova política dos escritórios na era da internet. O que ele deveria fazer quanto às dezenas de colegas de posição hierárquica inferior que o convidam a se integrar às suas redes no LinkedIn? Aceitar convites de pessoas relativamente desconhecidas poderia prejudicá-lo?
Procurei o conselho de uma conhecida que leva uma vida de intensa conectividade on-line. Ela disse que não há problema em ter conexões com pessoas de escalão inferior desde que você mencione em seu perfil que é um grande mentor e orientador, o que explica a presença de tanta gente sem muito prestígio em sua rede.
No passado, bajular tinha um inconveniente: isso enojava os demais colegas. A diferença com a bajulação na internet é que seus colegas provavelmente estão fazendo a mesma coisa e, por isso, por mais que você bajule alguém, não se incomodarão.
Leia mais na Folha de São Paulo.
Troca de papéis: empregados jovens ensinam chefes a usar Facebook e Twitter
Publicado em The Wall Street Journal
Antigamente, os mentores eram mais velhos e estavam em posição mais elevada na empresa do que seus orientandos. Mas agora isso acabou.Executivos mais velhos veem nos empregados jovens uma fonte de informação sobre tecnologia e redes sociais.
De Leslie Kwoh
Em um esforço para que os executivos mais velhos fiquem mais atualizados com a tecnologia, as redes sociais e as últimas tendências no ambiente de trabalho, muitas empresas estão emparelhando altos executivos com funcionários mais jovens — o chamado programa de "mentor reverso". A tendência está pegando em firmas de diversos setores, da tecnologia à publicidade.
A idéia é que os gerentes podem aprender várias coisas sobre como é a vida fora da sua confortável sala. Mas, segundo as empresas, há outro resultado: a queda da rotatividade dos funcionários mais jovens, que ganham não só a sensação de ter uma função, mas também uma rara oportunidade de ver de perto o mundo dos diretores e ter acesso ao alto escalão.
A ideia do mentor reverso foi defendida por Jack Welch quando era diretor-presidente da General Electric Co. Ele mandou 500 executivos de alto nível procurar seus subalternos para aprender a usar a internet. O próprio Welch formou par com uma funcionária de 20 e poucos anos que o ensinou a navegar na internet. Os mentores mais jovens "ganharam visibilidade", diz ele.
Avancemos a fita uma década — e hoje os mentores estão ensinando aos seus discípulos a usar o Facebook e o Twitter.
Na agência de publicidade Ogilvy & Mather, o diretor global Spencer Osborn, de 42 anos, diz que seus mentores mais jovens o ensinaram a "turbinar" suas postagens no Twitter, antes famosas por serem "muito chatas", e também lhe contam o que está na moda nas listas de reprodução de música. Ele julga que esses conhecimentos são valiosos na publicidade, setor onde as mudanças são rápidas. Além disso, acredita que o programa também ajudou a elevar o moral e a retenção dos funcionários na empresa. Muitos mentores jovens dizem que agora sentem que estão sendo ouvidos.
Os jovens mentores aprenderam a fazer perguntas francas aos seus orientandos mais velhos. Uma jovem mãe perguntou a opinião de Osborn sobre como ela deveria equilibrar a carreira profissional com suas tarefas de mãe.
Para o futuro, diz Osborn, o programa de mentor reverso da Ogilvy deve se tornar global, usando o Skype e a videoconferência para conectar mentores e aprendizes nas mais de 450 filiais da empresa pelo mundo.
A tecnologia e a maneira de pensar no mundo todo estão mudando tão depressa que os executivos mais velhos não querem "perder o bonde", diz Lois Zachary, presidente da Leadership Development Services LLC, consultoria de Phoenix, no Arizona, que ajuda as empresas a implementar programas com mentores. "Mas isso também ajuda os jovens a se sentirem à vontade na empresa. É algo que promove a lealdade, que gera confiança."
Por isso, os funcionários mais jovens na Hewlett-Packard Co. começaram a clamar pelo programa de mentor reverso. Alguns funcionários já criaram informalmente relações com mentores, mas a Rede de Jovens Funcionários da empresa informou que quer formalizar o processo no próximos meses, começando pelos milhares de membros do grupo em todo o mundo. A questão logística ainda não foi resolvida, mas deve envolver comunicação virtual pela internet.
"Esse é um grande caminho para falar com os tomadores de decisão", diz Odile Kane, membro do conselho de liderança da Rede.
Quando a Cisco Systems Inc. iniciou seu Programa de Mentores Reversos da Geração Y (os nascidos entre 1980 e 1990), há quase dois anos, participar do programa "se tornou uma medalha de honra", diz Jeanette Gibson, diretora de marketing social e digital. "Quando se espalhou a notícia que alguns executivos tinham um mentor [mais jovem], os outros também passaram a querer", diz ela.
Mas nem tudo são flores. Muitos funcionários mais velhos se ressentem com a ideia de serem orientados por alguém mais jovem, especialmente por terem muito mais anos de experiência na carreira, diz Sanghamitra Chaudhuri, professora da Universidade de Ohio, que recentemente foi coautora de um relatório de pesquisa sobre o tema.
"É uma questão de mentalidade", diz Chaudhuri.
Leia mais em The Wall Street Journal.
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