Entrevista com Armínio Fraga no Espaço Aberto – GloboNews
Publicado no Blog da Míriam Leitão
Assista a entrevista que Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central, concedeu à Míriam Leitão no programa Espaço Aberto pela GloboNews.
Temas com reestatizar o estado brasileiro, educação escolar, crescimento da China, o papel do Brasil no mundo atual, política monetária, câmbio, movimentos do Banco Central norte-americano e a crise econômica mundial foram objeto da conversa entre Míriam Leitão e Armínio Fraga.
Ginástica para o cérebro
Publicado em Época Negócios
A memória pode ser exercitada como os músculos. Veja como fazer isso e evite os “brancos”
De Chantal Brissac
A fórmula para aumentar o volume de boa parte dos 639 músculos do corpo humano é conhecida: fazer exercícios, exercícios e mais exercícios, repetidamente. Atividades como flexões de braço e levantamento de peso fazem com que as artérias levem mais sangue e aumentem o trabalho metabólico nos tecidos musculares. Com o tempo, as fibras vão oferecendo resistência e ganhando tamanho. Da mesma forma, quanto mais o cérebro for trabalhado, maior e melhor será o seu potencial, afirmam especialistas.
O estilo de vida atual tem comprometido cada vez mais a memória. Tarefas, pressões e informações em excesso geram uma espécie de pane no sistema nervoso. Os “brancos” surgem nos momentos mais inadequados. Os desmemoriados deixam queimar a comida no forno, têm de conferir repetidas vezes se trancaram a porta e esquecem o que precisam dizer em uma reunião. Os lapsos esporádicos muitas vezes evoluem para um estresse crônico, que altera o equilíbrio químico e diminui a capacidade de memorização.
A ciência hoje não relaciona mais idade e esquecimento. “A ideia de que a memória tem uma capacidade limitada e que vai diminuindo com o passar do tempo ficou definitivamente para trás”, afirma o neurocientista Koichi Sameshima, do departamento de radiologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. “Já se sabe que essa é uma habilidade flexível, que pode ser aprimorada constantemente, durante toda a vida.”
Mas como desenvolver essa capacidade de armazenar dados? Em uma só palavra: aprendendo. Os métodos para estimular o intelecto e reter conhecimentos adquiridos podem incluir desde as tradicionais palavras cruzadas até o estudo de um idioma. Outras maneiras de aguçar a mente? Experimente fazer compras semanalmente em um supermercado diferente, onde os produtos estão dispostos em corredores e prateleiras diversos, e fazer um novo caminho para ir ao trabalho.
A ideia de que a memória tem uma capacidade limitada que vai diminuindo com o passar do tempo já ficou para trás. “Viver novas experiências é excelente para a memória”, diz Ana Alvarez, doutora em ciências pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e autora de cinco livros sobre o assunto. Ana conta que, no ano passado, precisou aprender a dançar tango. Uma empresa argentina, para a qual prestou serviço de consultoria, convidou-a para um evento que tinha a dança portenha como mote. Ela contratou um instrutor e durante três meses ensaiou os passos com afinco. “Posso dizer que o cérebro fica em estado de encantamento quando a gente se esforça e aprende algo que quer muito.”
Ângela Martinelli, diretora de vendas e comunicação da empresa Herbalife do Brasil, investe pesado na “musculação” da mente. “Não me lembro de ter ficado sem estudar ou aprender algo novo por muito tempo”, afirma. No momento, Ângela finaliza uma pós-graduação em comunicação e já tem em vista um curso de arrais amador, uma espécie de habilitação para conduzir barcos e veleiros de pequeno porte. A executiva recorre aos gadgets para auxiliar na assimilação de novas informações. “Utilizo a agenda e as anotações do BlackBerry, que estão sincronizadas e se atualizam automaticamente, em minha estação de trabalho no escritório e em meu laptop”, diz Ângela. “Os recursos tecnológicos permitem que me programe e atenda aos compromissos sem grandes preocupações.” Ângela ainda aproveita o tempo ocioso no trânsito para ouvir audiolivros e relembrar idiomas que aprendeu quando morava na Europa.
Ela também organiza as ideias rabiscando as páginas de seu moleskine. O caderno preto com elástico, utilizado no passado por intelectuais como Pablo Picasso e Ernest Hemingway, foi presente da filha Mariana, de 11 anos. “Acho que ela quer evitar que meus dedos virem gravetos de teclados totalmente inadequados à caneta”, brinca Ângela. As inquietações da pré-adolescente também são um estímulo constante para a executiva. “Acompanho seus estudos e ouço atentamente suas dúvidas e percepções”, afirma.
Revisar mentalmente as ideias é outro exercício recomendado. Cláudio Tieghi, diretor do Yázigi Internexus e presidente da Associação Franquia Solidária, trabalha o nível de atenção enquanto dá braçadas na piscina, duas vezes por semana. “Quando estou na água, minha mente fica mais clara para assimilar conceitos, registrar compromissos e conquistar forças para superar obstáculos”, afirma Tieghi, que também usa a intuição e a calma para recuperar o fôlego no dia a dia corporativo. “Já tive lapsos em uma palestra. O que fiz? Disse que queria retomar um tópico importante em um slide anterior e refiz o percurso. O assunto fluiu naturalmente e me lembrei do que gostaria de dizer.”
Tieghi saiu do aperto graças a sua aguçada presença de espírito. Mas ninguém quer passar por uma situação parecida. Veja, na página ao lado, alguns fatores determinantes para manter a memória em dia e o bem-estar físico e mental.
MENTE AFIADA – Os fatores que influenciam na condição cerebral
ATITUDE MENTAL POSITIVA
A boa memória depende da personalidade da pessoa e da emoção com a qual os fatos são codificados e armazenados. Evitar pensamentos negativos e preocupações ajuda na memorização. A tristeza desequilibra os neurotransmissores cerebrais e gera dificuldades até para resgatar dados já arquivados. Um estudo feito com ratos pela Universidade de Medicina e Ciência Rosalind Franklin, nos Estados Unidos, comprovou que uma única situação socialmente estressante pode destruir novas células nervosas na região cerebral que processa o aprendizado, a memória e a emoção. Ratos jovens, ao se deparar com ratos mais velhos e agressivos, tiveram as células localizadas no hipocampo comprometidas. Apenas um terço das células geradas sob o estresse sobreviveu.
NOITES BEM-DORMIDAS
Outro recurso valioso é manter o sono em dia. O repouso funciona como um coletor de lixo, quando é possível editar as ideias. A pessoa retém o que aprendeu, depura as informações e joga fora o que não presta. Esquecer também é fundamental para lembrar melhor. Manter-se acordado e alerta com as chamadas smart drugs, drogas que buscam melhorar a atenção e agilizar o desempenho intelectual, pode oferecer risco ao equilíbrio dos bilhões de neurônios, principalmente quando não há acompanhamento médico. Algumas substâncias naturais, como a xantina, presente no café, no chocolate e em alguns chás, podem servir de estimulante natural, sem efeitos colaterais ou contraindicações.
ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL
Alimentos ricos em gorduras e vitamina B ajudam a manter o equilíbrio de aminoácidos necessários para a formação e a estabilidade dos neurotransmissores, os componentes químicos que mantêm conectadas as células do sistema nervoso.
A gordura saturada pode ser encontrada nos peixes, na soja, nas castanhas e nas nozes. A gordura insaturada, mais saudável, está presente no azeite de oliva extra virgem e no óleo de canola. Essas gorduras melhoram a aprendizagem e o intercâmbio de informações no cérebro.
As vitaminas do complexo B fazem parte da composição de frutas, legumes e cereais integrais. Uma refeição que inclua salmão (peixe farto em boa gordura), verduras, arroz integral e molho de nozes, além de um copo de suco de frutas, é um poderoso combustível para a mente.
Leia mais em Época Negócios.
Fotografia – René Maltête
Visite a página oficial do incrível fotógrafo René Maltête em http://rene.maltete.com/main.php (em francês). Conheça um pouco mais René Maltête visitando a Wikipedia (em inglês) no endereço http://en.wikipedia.org/wiki/Ren%C3%A9_Malt%C3%AAte.
Algumas fotos:
Gigante indiana expande bases em outros emergentes
Publicado em The Wall Street Journal
De Amol Sharma e Paul Beckett
N. Chandrasekaran assumiu o comando da Tata Consultancy Services Ltd. mês passado num momento crucial. Seu desafio é traçar o caminho que a maior exportadora de software da Índia tomará enquanto o mundo sai de uma recessão que esvaziou os gastos com tecnologia e mostrou como as firmas indianas de terceirização dependem dos mercados americano e britânico.
A TCS foi prejudicada pela crise, com declínio de 6,8% na receita do ano fiscal encerrado em março, depois de registrar crescimento acima de 30% durante os anos de expansão da indústria de terceirização da Índia. Chandrasekaran ressalta os resultados mais recentes da TCS e de outras firmas indianas de tecnologia como indícios de que o pior da recessão talvez já tenha passado.
A TCS gerou receita de US$ 6 bilhões no último ano fiscal. Ela faz parte do Grupo Tata, um dos maiores conglomerados da Índia, envolvido em atividades que vão do setor hoteleiro à fabricação de automóveis e à produção de chá, que teve receita de US$ 70,8 bilhões no ano.
O executivo de 46 anos, que prefere ser chamado de Chandra, trabalha na TCS há 23 anos. Ele já foi diretor operacional sob o comando de S. Ramadorai, que se aposentou em 6 de outubro aos 65 anos. Como diretor de vendas mundiais, Chandrasekaran foi responsável por impulsionar a TCS rumo a novos mercados, como América Latina e China. Os mercados emergentes agora respondem por uma receita anual de US$ 1,2 bilhão.
Em entrevista ao Wall Street Journal, Chandrasekaran, um ávido maratonista, discutiu como a TCS navegou a crise e seus planos como diretor-presidente para expandir a presença mundial da empresa. Trechos:
WSJ: Qual tem sido a estratégia da empresa para navegar a crise?
N. Chandrasekaran: Ficamos cientes da recessão um pouco antes. Em dezembro de 2007, alguns poucos clientes cancelaram subitamente os pedidos. Logo percebemos que a coisa estava ganhando dimensão. Decidimos que primeiramente acompanharíamos de perto todos os nossos clientes.
Também focamos em administrar melhor nossos custos. Não é cortar custos; é melhorar a eficiência.
WSJ: O que o sr. considera que fez especialmente bem no último ano?
Chandrasekaran: Nos aproximar dos clientes e continuar com eles durante a crise. Entramos em conversações diferentes. Ensinamos nosso pessoal a parar para entender os problemas dos clientes e descobrir o que eles precisavam de nós. O que podemos fazer para ajudar? Podemos cortar custos? Podemos ajudá-los no processo de recuperação? Não perdemos nenhum cliente.
WSJ: Se o sr. pudesse escolher uma coisa que poderia ter feito melhor, o que seria?
Chandrasekaran: Começamos a perceber que a receita de alguns clientes começou a cair em dezembro de 2007. Em vez de correr atrás de alguns grandes contratos que buscávamos na época, deveríamos ter trocado de marcha e percebido que muitos dos negócios que esperávamos não se concretizariam ou seriam adiados. Poderíamos ter montando uma estratégia um pouco antes de quando o fizemos. Só depois do colapso do Lehman Brothers é que percebemos a magnitude do impacto.
WSJ: Qual é o cenário no momento para os investimentos em tecnologia?
Chandrasekaran: O cenário está melhorando. Temos visto oportunidades em serviços financeiros, varejo e farmacêuticas. Mas ainda sentimos que o problema não foi resolvido e setores como manufatura, alta tecnologia e telecomunicação ainda estão enfrentando muitos problemas, então a recuperação deles será muito lenta.
WSJ: Agora que o sr. é o diretor-presidente, o que fará diferentemente de seu antecessor?
Chandrasekaran: Haverá muita continuidade. Uma coisa que eu quero fazer é expandir nossos centros de desenvolvimento em outras partes do mundo, para que possamos atender às demandas mundiais de tecnologia de nossos clientes. Em segundo lugar, queremos desenvolver um pacote completo de serviços para que possamos oferecer soluções completas aos clientes, de terceirização de aplicativos de software a administração de infraestrutura, consultoria e produtos.
E, finalmente, queremos ter um crescimento "não-linear". Isso significa encontrar maneiras de gerar mais receita com menos contratações. Isso vai demorar, talvez três ou cinco anos. Um elemento disso será criar algo uma vez, então reutilizar para servir a vários clientes. Todo mundo precisa fazer a folha e produzir um balanço.
WSJ: Por que o foco em expandir os centros de desenvolvimento fora da Índia? A empresa não construiu seus negócios de terceirização atendendo a clientes a partir da Índia?
Chandrasekaran: Todos os nossos clientes, de gigantes financeiros a empresas de aeronáutica, têm aspirações mundiais. Eles enxergam oportunidades enormes nos mercados emergentes. À medida que entram em novos mercados, também precisamos expandir lá para poder ajudá-los. Em segundo lugar, existem muitas empresas dos mercados emergentes que estão se tornando multinacionais.
É fácil para nós atender a uma empresa americana a partir da Índia. Não há questões de língua ou custo. Mas não posso atender a uma empresa brasileira na Índia, porque há questões de língua, cultura e custos. Ainda vou precisar mandar gente para o local para fazer a coisa funcionar.
Os centros que criamos são em localidades estratégicas. Você tem que estudar isso cuidadosamente, escolher o melhor lugar e aí estabelecer a escala. Alguns lugares crescem mais rapidamente. O do México, por exemplo, cresceu muito mais rápido do que prevíamos. O da China é mais lento do que esperávamos por causa de questões de língua e de cultura.
Leia mais em The Wall Street Journal.
Web Meeting – Gerência de Projetos
No próximo dia 13 de novembro (sexta-feira) vamos abrir novo grupo para debater o tema Gerência de Projetos. A agenda será a seguinte:
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Recepção
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Aspectos da Gerência de Projetos: o que é Projeto, Fases da Gerência de Projetos, Estrutura Analítica, Gerência de Riscos, Gerência de Mudança, Gerência de Custos, Gerência das Comunicações, Gerência dos Recursos Humanos e o Caderno do Projeto
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Painel de Perguntas
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Encerramento
A duração total do Web Meeting será de 2 horas. O horário será das 9 às 11 horas com a recepção a partir das 8h40 (horário de Brasília).
Os recursos necessários são computador com Windows XP (ou Vista) e fone de ouvido (ou caixa acústica). O participante irá assistir e interagir diretamente do seu computador conectado à Internet (banda larga). Se dispuser de microfone poderá interagir com o grupo por voz. Não haverá necessidade de instalação de nenhum programa ou aplicativo.
Não perca o web meeting Gerência de Projetos que a QualiMática Consultoria promoverá no próximo dia 13 de novembro das 9 às 11 horas, horário de Brasília. Acesse www.qualimaticaconsultoria…. e inscreva-se.
Nestlé foca-se no longo prazo e mantém planos pré-crise
Publicado no The Wall Street Journal
De Deborah Ball
Paul Bulcke se tornou diretor-presidente da Nestlé SA em abril de 2008, o ápice de uma carreira na maior fabricante de alimentos do mundo que começou em 1979 como aprendiz de administração. Esses 18 meses foram duros. Bulcke, um executivo belga de 55 anos que dirigiu a enorme unidade Américas antes do cargo atual, assumiu o comando justamente quando consumidores no mundo todo estavam fechando a carteira. Por causa disso, a Nestlé se viu no meio de uma batalha cada vez mais intensa contra produtos mais baratos de marca própria dos supermercados.
Depois de vários anos de sólido crescimento, as vendas da Nestlé frearam este ano, com desempenho inferior ao de rivais como Unilever e Danone SA. Ao mesmo tempo, a oferta de US$ 17 bilhões que a americana Kraft Foods fez pela fabricante britânica de chocolates Cadbury PLC jogou um holofote indesejado sobre os negócios de doces da Nestlé, há muito uma de suas partes mais fracas. A oferta da Kraft levou muitos a pensar se a Nestlé faria uma oferta rival pela Cadbury para reforçar seus negócios de chocolate.
No mês passado, Bulcke traçou um panorama ligeiramente melhor para as tendências de vendas da Nestlé, anunciando um crescimento orgânico de 3,6% no terceiro trimestre, ante 3,5% do primeiro semestre, mas ainda longe da meta de longo prazo da companhia, que é de 5% a 6%.
Numa entrevista ao Wall Street Journal na sede da Nestlé na Suíça, Bulcke refletiu sobre os desafios de se administrar em meio à crise econômica, entre goles de Nescafé e chocolates Cailler. Trechos:
WSJ: O que deu mais certo para a Nestlé na administração da crise?
Paul Bulcke: É uma questão de manter o curso. Dissemos ao nosso pessoal que nosso (plano de negócios de) longo prazo se mantinha, e que ele era bom. Em tempos bons e tempos ruins, ele tem tração, tem quilometragem.
Pegamos (nossa estratégia de inventar produtos de baixo custo para o mundo emergente) e demos a ela um impulso muito maior. O consumidor emergente é um dos maiores aceleradores de crescimento que identificamos.
WSJ: O que o sr. teria feito diferente no último ano?
Bulcke: Uma boa parte da concorrência tentou (cortar preços) muito mais do que queríamos fazer. Às vezes, durante o ano, deveríamos ter reagido mais rápido a essas medidas, não só com preço, mas identificando melhor o perigo das reduções. A gente disse: ‘essas promoções vão ser temporárias’. Às vezes deveríamos ter tido mais intensidade em nossa reação.
WSJ: A Nestlé tinha uma meta de crescimento de receita de 5% a 6%, mas seu crescimento orgânico este ano está em apenas 3,6%. A meta continua válida?
Bulcke: Essa é nossa direção de longo prazo. Estamos mantendo. No terceiro trimestre, nossos volumes cresceram a um nível maior do que no trimestre anterior, então temos impulso no crescimento de volume. E isso num momento em que também temos enxugado portfólios e cortado (itens de fraco desempenho). Isso teve impacto negativo sobre o crescimento, mas é como tirar o mato do nosso jardim para que o restante possa florir melhor. É bom para o crescimento no futuro.
WSJ: Qual a sua visão do crescimento global?
Bulcke: Não acho que a crise vá acabar assim sem mais nem menos. Vai haver alguma rebarba. Eu vejo uma recuperação, mas vai levar um tempo para ganhar impulso. Os EUA são uma área que é sempre forte quando se recupera, mas não vai ser um grande pulo. Vai ser lenta e firme. A Europa demorou mais para entrar na crise mas vai demorar mais para sair. Nunca vai ser no mesmo nível que você poderia esperar nos EUA. Um pouco de crescimento em volumes está voltando.
WSJ: Seus aumentos de preço este ano foram só metade do nível de 2008. O sr. acha que o poder de preço vai voltar?
Bulcke: Este mercado está tão volátil no lado do custo. Depende muito da categoria. Veja o cacau: os aumentos de preço que temos visto são estruturais. Não é uma questão de ver o preço voltar a cair. O leite também está subindo. Projetamos 2% mais ou menos (de aumento de preço de matérias-primas) para este ano. Em relação ao preço dos nossos produtos, também vamos seguir uma tendência de 2%. E eu espero que a inflação não volte.
WSJ: Os investidores muitas vezes se queixam de que a Nestlé não resiste a fazer grandes e caras aquisições. Logo vocês terão a chance de vender o resto de sua farmacêutica Alcon Inc. por até 30 bilhões de francos suíços, ou cerca de US$ 29 bilhões. O sr. pode garantir aos investidores que a Nestlé não vai fazer uma grande aquisição?
Bulcke: A situação da Alcon é algo com que só se pode lidar em janeiro e vai levar mais uns seis ou sete meses para recebermos o dinheiro. Sempre vai haver quem diga: ‘Você pagou demais’. Mas somos uma companhia de longo prazo. Não vamos fazer (…) nada prejudicial. Seremos responsáveis.
WSJ: Depois de anos de forte crescimento, o mercado de água engarrafada está sob enorme pressão agora por causa de preocupações ambientais e concorrência. A água engarrafada é agora um segmento de baixo crescimento?
Bulcke: Tem sido uma tormenta, tanto por causa das preocupações ambientais quanto da crise. A água é uma categoria que nos deu muitos anos de alegria. E de repente tudo mudou. Isso é que dói. A questão ambiental será equacionada novamente. Temos a garrafa mais leve agora. Na cadeia de valor, estamos trabalhando duro para ganhar eficiências.
WSJ: Qual o pior conselho que o sr. já recebeu sobre como lidar com um enfraquecimento econômico?
Bulcke: A pior coisa seria começar a reagir a pressões de curto prazo e ameaçar sua visão de longo prazo. Isso é vender sua alma porque afrouxa sua inspiração de longo prazo e a disciplina da sua organização. É um perigo.
WSJ: Como o sr. motiva as pessoas?
Bulcke: Você fala sobre as coisas. Apesar de pensar que esta é uma companhia enorme, temos várias maneiras de conectar. Quando você está sempre falando sobre essas mesmas coisas, sente atração e sente a companhia se mexer bem rapidamente naquela direção.
Leia mais em The Wall Street Journal.
Montar um negócio no doce lar é o sonho de muita gente
Publicado em Época Negócios
De Katia Simões com colaboração de Bia Costa
Empresárias contam como montaram a empresa dentro de casa
O relógio marca 10 horas de uma manhã chuvosa em São Paulo. No noticiário, mais um recorde na capital paulista: 150 quilômetros de congestionamento. Apesar do caos, a designer Vivian Suppa, 52 anos, não mudou sua rotina. Acordou, caprichou no visual, tomou um bom café e está mais disposta do que nunca para mais um dia de trabalho. Bem-humorada, responde a dezenas de e-mails e negocia o prazo de uma ilustração. Tudo sem sair de casa. Seu birô de projetos gráficos funciona no espaço de uma suíte que ela transformou em escritório. São 18 metros quadrados preparados para atender as necessidades de uma empresa moderna, conectada com o mundo, que tem clientes no Brasil e na França.

Vivian Suppa, SUPPA DESIGN
ATUALIZAÇÃO > Livros, catálogos e revistas estrangeiras, além de pelo menos duas viagens por ano ao exterior, ajudam a designer a se atualizar com as últimas tendências na área de ilustração no mundo
APARÊNCIA IMPECÁVEL > Cumprir rotinas diárias é um dos principais segredos para se adquirir disciplina no trabalho e não ter a sensação de que todo dia é feriado. A empresária sempre escolhe com cuidado sua roupa e capricha na maquiagem, como se fosse para o escritório. Há muito tempo deixou de lado o hábito de tomar o café da manhã de pijama
CONTABILIDADE > Apesar de as contas de água, luz e telefone serem comuns para a casa e o ateliê, as entradas e saídas de capital são controladas, para que parte do faturamento da empresa seja reinvestido no negócio
Da bancada com dezenas de lápis coloridos e muito papel saíram projetos premiados, como o livro Contos de Grimm, de Walcyr Carrasco, vencedor do Prêmio Jabuti 2007. É ali, em meio a quadros e bonecos assinados por ela, que Vivian dá expediente. “Comecei a trabalhar em casa quando era membro da Maison des Artistes, em Paris. Não me vejo presa no trânsito e escrava de horários”, diz. O modelo de negócio já tem mais de dez anos e não incomoda a clientela. A ilustradora faz trabalhos para boa parte das editoras brasileiras, além de agências de publicidade como DM9, África e WBrasil, que lhe garantem um faturamento mensal de R$ 22 mil. Sem funcionários, é a própria Vivian quem marca as reuniões e atende o telefone. Na falta dela, uma secretária eletrônica se encarrega dos recados. A empreendedora revela que o mais difícil foi convencer os filhos e a diarista de que existia uma “porta imaginária” entre a sala de jantar e o escritório. “Vez ou outra, eles ainda dão uma escorregada, mas de um modo geral tudo funciona bem”, afirma. “Só vejo vantagens em trabalhar em casa.”
MUITA DISCIPLINA
Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (a última foi realizada em 2007) revelam que, dos 19,2 milhões de brasileiros que trabalham por conta própria, 46% mantêm o negócio no próprio domicílio, onde moravam anteriormente ou no sítio. Nos Estados Unidos, 4,2 milhões de pessoas trabalham em casa, um aumento de 23% em relação a 1990 e de quase 100% em relação a 1980, conforme levantamento feito pela agência de relações públicas Burson-Marsteller. “Essa é uma tendência que se solidifica a cada dia”, afirma Francisco Barone, coordenador do Programa de Empreendedorismo da Ebape/FGV-RJ. “Nos anos 1990, consultores chegaram a prever que a maioria das pessoas já estaria hoje fora dos escritórios. Isso ainda não aconteceu, mas os avanços tecnológicos facilitam cada vez mais a tomada de decisão de transformar a casa em local de trabalho.”
Foi graças à tecnologia que a bióloga Sandra Figueira, 53 anos, conseguiu estruturar uma empresa de paisagismo em seu apartamento. “O negócio se resume a um computador com internet banda larga, um telefone fixo e um celular, e minhas ideias”, diz. A Ficus Paisagismo especializou-se na criação e manutenção de arranjos naturais, vasos e jardins em empresas. São 30 clientes, entre eles Intel, Cisco e Royaltier, além de grandes escritórios de arquitetura. Seu faturamento anual é de R$ 150 mil. “Em 16 anos de atividade, nunca fechei um contrato em casa. Vou sempre ao encontro do cliente. Preciso conhecer o local onde irei trabalhar”, afirma Sandra. O único funcionário é o jardineiro, que a acompanha desde o início. Com ele se reúne uma vez por semana para afinar as tarefas. Disposta a dar identidade à marca, ela alinhou a comunicação visual da empresa, do cartão de visita ao site. Outro cuidado foi jamais misturar os ganhos e as despesas da Ficus com as da casa. Até os carros são separados. O furgão com logotipo só sai às ruas a trabalho. “Sou muito disciplinada, tenho uma agenda bem distribuída entre visitas à clientela e prospecção de novos projetos. Trabalho de qualquer lugar, até mesmo quando viajo, porque tudo está no computador”, diz.

Sandra Figueira, FICUS PAISAGISMO
CONTATOS > Todos os projetos realizados foram por indicação. A única propaganda é o boca a boca. Os contatos são feitos por telefone ou e-mail e os contratos fechados no endereço do cliente
PORTFÓLIO DIGITAL > Todo o acervo do escritório é apresentado via internet. O site é de fácil navegação e revela fotos de jardins, arranjos e materiais dos mais variados portes
LOGÍSTICA > Ferramentas e materiais mais pesados, como vasos e terra, são guardados em um depósito externo. As plantas ganham espaço na sala de estar do apartamento ou permanecem na chácara, à espera de um novo destino
De acordo com Marcelo Nakagawa, professor de empreendedorismo da Fundação Vanzolini, a chave do sucesso dos negócios em casa está na disciplina. “São poucos os que conseguem ter horário para começar a trabalhar e para encerrar o expediente, respeitar as retiradas do pró-labore, controlar a contabilidade e manter o foco”, diz Nakagawa. E não é só isso. Não basta ter habilidade ou afinidade com o segmento escolhido para tocar um negócio em casa. É essencial ter iniciativa, independência profissional, planejamento, persistência, profissionalismo, apoio familiar e disposição para enfrentar horas de solidão. “Quem tem necessidade de interagir com as pessoas o tempo todo dificilmente se adapta à realidade doméstica”, diz Ivair Rodrigues, diretor de pesquisa e tecnologia da ITData Consultoria. “Driblar esse isolamento também é essencial para o profissional se manter sempre atualizado e a empresa inteirada das novidades e das tendências do mercado.”
DE OLHO NA LEI
A receita para o sucesso passa, ainda, pelo respeito à legislação. Enfrentar a burocracia é o primeiro passo antes de aplicar as economias na nova atividade. “Não é porque a empresa funciona em casa que ela está livre de passivos trabalhistas e de pagar imposto”, diz o consultor André Spinolla, do Sebrae Nacional. “Atividades que provocam barulho excessivo, lidam com a área da saúde, provocam explosões ou são insalubres não podem funcionar em ambiente doméstico”, avisa o especialista. Têm boa aceitação, entretanto, consultorias, serviços ligados à tecnologia e tudo o que exige trabalho intelectual. Em qualquer ramo, porém, é preciso consultar a prefeitura para saber se o endereço encontra-se em uma zona comercial ou não, e conhecer em detalhes as exigências e as restrições apresentadas pela lei.

Silvana Boccolato, RESTAURANTE LA LYDIA
RESERVAS > O restaurante tem hora para abrir e para fechar, nada de altas madrugadas. Funciona de terça-feira a domingo e só aceita reservas pelo telefone. A maioria dos frequentadores vem por indicação. Foi o caminho escolhido para controlar o número de clientes e equilibrar o estoque, nem mais, nem menos
FEITO NA HORA > Os pratos são preparados na hora pela empresária, o que exige uma logística afinada. Os frutos do mar, principalmente as ostras, são pescados pela manhã e despachados no voo das 11h de Florianópolis para São Paulo. Chegam às 15h e à noite são servidos aos clientes
Foi o que fez a paulistana Silvana Boccalato, 50 anos, antes de instalar na sala do sobrado onde mora, no bairro de Perdizes, em São Paulo, um pequeno restaurante de culinária espanhola. Sinal verde, ela transformou a edícula em cozinha industrial, um dos quartos em depósito e cobriu o terraço com um toldo. Recebe até 20 pessoas sentadas. Todas com reservas. As paellas são preparadas na hora e atendem a paladares variados. “Entre os frequentadores do La Lydia estão ministros, artistas globais e estrangeiros”, diz Silvana com ar de satisfação. Segundo a empresária, o inconveniente de trabalhar em casa é receber telefonemas a qualquer hora e perder a sua privacidade para a empresa, que a cada dia se torna mais importante. Hoje, o negócio já ocupa 80% dos 110 metros quadrados de área do sobrado. “Mas vale a pena. Em que outro lugar eu iria faturar R$ 150 mil por ano sem enfrentar trânsito e sem estresse?”

Fabiana Pragier, CENTURY 21
MENOS DESPESAS > Ao instalar a franquia na própria casa, a empresária diminuiu seus custos fixos: passou a pagar apenas um condomínio e não tem despesa com transporte
FRANQUIA > A opção pela franquia home based permitiu à empresária ter um website integrado com todos os franqueados internacionais, compartilhar as campanhas publicitárias promovidas pela rede e trocar experiência com as 26 imobiliárias Century 21 distribuídas pelo Brasil
SOB MEDIDA > O prédio, construído sob medida para abrigar escritório e residência em um único espaço, é equipado com salas de reuniões, recepção corporativa e área de lazer. O espaço, totalmente integrado, permite que a empresária e o marido e sócio, Leonardus Vrinssen, estejam juntos todo o dia, sem comprometer a rotina de trabalho dos dois
O aumento do número de empresas que funcionam em casa nos últimos tempos aumentou tanto que algumas incorporadoras passaram a construir edifícios híbridos, que combinam residência e escritório. Há três meses, a administradora Fabiana Pragier, de 31 anos, trocou uma casa na Serra da Cantareira, em São Paulo, por um apartamento de 90 metros quadrados com esse perfil no bairro dos Jardins. Instalou sua franquia do ramo imobiliário, a Century 21, no escritório de decoração espartana. “Tenho dois funcionários, movimento negócios de até R$ 3 milhões por mês e ainda posso almoçar em casa com meu marido”, afirma Fabiana. “Não troco essa vida por nada.”
Leia mais em Época Negócios.
Da era industrial à digital
Programa da Globonews e o Blog da Míriam Leitão
Assista à entrevista que Rosental Calmon Alves, professor da Universidade do Texas e que hoje ensina às empresas como se adaptarem aos novos tempos, concedeu a Míriam Leitão para o programa Espaço Aberto da Globonews.
Para Rosental, o que estamos vendo agora não é só a chegada de novas tecnologias, mas o início de uma era, uma revolução digital. Ele acredita que o fenômeno atual só pode ser comparado com a invenção do tipo móvel, por Guttemberg, que acabou com o poder das grandes aristocracias, diminuiu a influência da Igreja, e nos trouxe o iluminismo.
Apresentação de Carlos Ghosn na Wharton
O carro elétrico é real. É o que diz o homem que jogou sua reputação corporativa no carro pós gasolina: Carlos Ghosn, CEO da Renault e da Nissan. Na apresentação sobre Liderança da Wharton, que comenta sobre os reflexos da crise financeira iniciada em outubro de 2008, passando pela gestão de um conglomerado multicultural para pressionar por regulamentação governamental específica.
Assista ao vídeo da apresentação e leia (em inglês) o texto em "Renault-Nissan CEO Carlos Ghosn: ‘Now Is the Time for the Electric Car".
Chip facilitará fiscalização de velocidade e adoção de pedágio urbano no País
Publicado em O Estado de S. Paulo
Novo sistema deve equipar toda a frota até 2014 e permitirá o controle das rodovias por trechos percorridos
De Naiana Oscar
O governo federal anunciou ontem os detalhes para instalação, num prazo de cinco anos, do Sistema de Identificação Automática de Veículos (Siniav). São Paulo deve ser uma das primeiras cidades a monitorar a frota com chips – o prefeito Gilberto Kassab foi o primeiro a conhecer o sistema, numa sessão exclusiva na quarta-feira. Além de permitir um melhor gerenciamento do trânsito, essa tecnologia colocará a capital a um passo do pedágio urbano.
O sistema permitirá também o monitoramento da velocidade por trechos e não pontualmente, como fazem hoje radares em todo o País. Ou seja, não vai adiantar o motorista colocar o pé no freio só quando estiver passando pela área monitorada pelo equipamento de fiscalização. E essa função poderá ser adotada tanto em áreas urbanas como em rodovias. A tecnologia do Siniav dispensa também praças de pedágio e a cobrança é feita "virtualmente", podendo ser debitada no cartão de crédito.
A comunicação entre o chip e as antenas será feita por frequência semelhante à de celular. O circuito vai ser instalado no para-brisa do veículo e sempre que passar por uma das antenas o automóvel terá informações captadas e levadas para uma central. Toda a frota, nova e velha, terá de circular com chip em até 5 anos. Carros novos ganharão o aparelho no emplacamento. Nos antigos, a instalação será gradual, seguindo provavelmente o calendário do licenciamento.
O monitoramento por chip também será um instrumento de segurança pública. Todos os Detrans do País terão de abastecer uma base de dados com informações sobre veículos roubados, furtados, clonados ou usados em sequestros. Os leitores das antenas estarão programados para identificar esse veículo e acionar a fiscalização. "Até sequestro relâmpago, se for avisado com rapidez, poderá ser solucionado, pois se saberá onde o carro estará passando e a polícia vai agir", explicou o consultor em Trânsito Alexandre Zum Winkel.
Os governos poderão fiscalizar ainda licenciamento, multas, IPVA e inspeção veicular. E o município poderá atribuir ainda outras funções ao aparelho, como fiscalizar o rodízio de veículos. Metade da capacidade dele será usada para guardar informações públicas e a outra poderá ser "explorada" pela iniciativa privada. Empresas que administram estacionamentos podem usá-lo para controlar o acesso de veículos, por exemplo.
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