Novo Windows 8 pode mudar o jogo para a Intel
Publicado em The Wall Street Journal
De DON CLARK
A Microsoft Corp. abalou o setor the tecnologia um ano atrás com uma mudança radical na sua estratégia, um plano para desenvolver uma nova geração de software que não depende tanto dos chips fabricados pela sua parceira de 30 anos, a Intel Corp.
Um ano depois, não ficou claro se essa mudança ajudará muito a gigante do software a tirar o seu atraso no setor de aparelhos móveis — ou se será assim tão ruim para a Intel quanto pareceu no início.
Executivos da indústria acreditam que o Windows 8 só vai ficar disponível no segundo semestre. Mas a discussão sobre as consequências do novo sistema operacional já está ganhando força. O Windows 8 inclui uma interface ativada por toque que deverá ajudar a Microsoft a competir com a Apple Inc. e outras companhias no mercado de tablets.
O que torna o Windows 8 diferente de tudo que a Microsoft já fez é que o sistema roda em chips do tipo usado em telefones celulares, baseados em projetos licenciados pela ARM Holdings PLC, assim como nos chips x86 que a Intel e a Advanced Micro Devices Inc. vendem para computadores.
Fornecedores de chips ARM, como a Qualcomm Inc., afirmam que o Windows 8 vai colocar, pela primeira vez, os seus chips em notebooks.
Já a Intel observa que o novo software ajudará a colocar os seus chips em muitos tablets. "Nós estamos muito motivados com o Windows 8", disse o diretor-presidente da Intel, Paul Otellini, durante uma conferência com investidores em novembro. "Acredito que é uma das melhores coisas que já aconteceu para a nossa empresa."
Otelline deverá discutir o assunto durante seu discurso, hoje, na CES, a feira de eletrônicos de Las Vegas. O tema também estava para ser discutido ontem à noite, quando o diretor-presidente da Microsoft, Steve Ballmer, tinha palestra marcada no evento.
Qualquer incerteza sobre uma versão do Windows é uma exceção na história da indústria de PCs. Cada novo sistema operacional da Microsoft tradicionalmente exigiu chips mais potentes da Intel. Com isso, a dupla, às vezes chamada de Wintel, abocanhava o grosso dos lucros do setor.
Mas as vendas de PCs estão caindo. A firma de pequisa Gartner Inc. estima que o mercado encolherá 1% este ano, para US$ 233 bilhões, mas afirma que as vendas de tablets crescerão 53%, para US$ 50 bilhões.
A Microsoft, que antigamente não tinha páreo entre os empresas de software, foi perdendo terreno à medida que o iPhone e o iPad, ambos da Apple, e dispositivos que usam o sistema operacional Android, da Google Inc., deram forma a um novo mercado de aplicativos para aparelhos móveis.
Para a Microsoft, a aposta não poderia ser mais alta. O Windows 8 "é onde a Microsoft está se segurando para continuar relevante", diz Phil McKinney, que até o mês passado era diretor de tecnologia da divisão de PCs da Hewlett-Packard Co. Mas ele acrescenta: "De certa forma, ele rompe a família Wintel."
Analistas e executivos da indústria veem algumas promessas técnicas no Windows 8, mas dizem que não está nada claro se ele vai ajudar a Microsoft no mercado de tablets, no qual mesmo aparelhos usando o Android penaram para ganhar espaço entre os iPads da Apple.
A maior vantagem do Windows 8 é que ele parece mais com um software de PC. Isso, mais as funções de segurança que vêm com o Windows, podem atrair usuários corporativos até agora hesitantes em relação aos tablets.
O Windows 8 traz uma nova interface à base de toque, chamada Metro, com o último software da Microsoft para celulares e o seu popular painel Xbox de videogame. Pequenas janelas na tela mostram texto e imagens móveis, sem precisar abrir um aplicativo.
Mas os concorrentes não estão parados. A Google está desenvolvendo o seu tão esperado sucessor do Android, batizado de "Ice Cream Sandwich" ou "sanduíche de sorvete".
Trata-se, em essência, de um único sistema operacional para smartphones e tablets, ao contrário das versões anteriores do Android para esses produtos, que tinham códigos diferentes.
"O Ice Cream Sandwich resolve um problema enorme", diz Jen-Hsun Huang, diretor-presidente da Nvidia Corp. A empresa dele, que vende chips ARM, espera que eles sejam usados tanto nos aparelhos com o software da Google quanto naqueles com o Windows 8.
A Intel também está tomando suas precauções, adotando ao mesmo tempo o Windows 8 para PCs e tablets e o software da Google para smartphones. Tendo sido em grande parte alijada desse mercado, a Intel está pouco a pouco aumentando a eficiência dos seus chips para competir melhor com os da ARM. Otellini deve anunciar novos clientes no mercado de smartphones, no seu discurso hoje.
Ainda assim, a Intel e a Microsoft não devem tão cedo aumentar a sua participação no mercado de aparelhos móveis. Por isso, a Intel talvez use a feira de Las Vegas para promover laptops finos, ou Ultrabooks.
Empresas que empregam chips ARM terão seus próprios desafios usando Windows 8 em PCs portáteis, diz Pat Moorhead, um pesquisador independente do mercado que já foi vice-presidente da AMD.
Para começar, essas máquinas não vão rodar os aplicativos atuais do Windows, mas laptops equipados com os chips x86 da Intel ou AMD vão. Essas diferenças podem confundir alguns usuários, a não ser que os produtos venham com marcas diferentes.
"Como a Microsoft vai promover o que é basicamente duas capacidades diferentes das máquinas com Windows?"diz Moorhead.
E há ainda a programação adicional requerida pelos chips ARM, que a indústria não acredita está tão adiantada quanto à dos chips x86, embora usuários do ARM acreditam que ficará pronta a tempo.
A questão principal é "quando nós vamos ultrapassar a linha de chegada", diz Rob Chandhok, vice-presidente sênior de estratégia de software da Qualcomm.
Mesmo que leve três ou quatro anos, os chips ARM vão no final tomar uma fatia considerável do mercado de PCs, diz Henri Richard, vice-presidente sênior da Freescale Semiconductor Inc., que também usa a tecnologia. "Eu não acredito que o final da história esteja em dúvida neste momento", disse ele.
Bill Calder, que é porta-voz da Intel, discorda. "Nós vendemos centenas de milhões de aparelhos Windows", diz ele. "Ninguém aqui acha que isso vai mudar com a próxima geração."
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