Com atraso no mercado digital, Kodak não evita concordata (um convite à reflexão)
Publicado em Bom Dia Brasil
Com o pedido de recuperação judicial, a empresa de fotografia ganha tempo para tentar uma nova reestruturação.
Quem viaja para os Estados Unidos ou para qualquer canto do mundo leva sempre na bagagem uma máquina fotográfica. Antigamente, tinha filme. Mas os tempos mudaram. Que o diga a Kodak.
Luis trabalha com fotografia nos Estados Unidos há 25 anos. Ele não via um filme de rolo há muito tempo. “Há uns 12 anos”, calcula. Ele acompanhou toda a transição da fotografia analógica para a digital. “Mudou completamente no sentido em que você tem um resultado imediato, seja com a câmera do seu celular, que é tão boa quanto a câmera que você compra da loja”, comenta.
Não deixa de ser irônico que um engenheiro da Kodak tenha construído a primeira câmera digital, em 1975. Ela era grande e gravava as imagens em uma fita cassete, com resolução bem baixa.
Era uma época de ouro para a Kodak, que detinha 90% do mercado de filmes fotográficos. Talvez exatamente por isso, a companhia não quis investir em uma máquina que dispensava seu produto mais lucrativo: o filme que ajudou a registrar momentos marcantes da história, como a primeira viagem do homem à Lua.
A concorrência decidiu apostar na fotografia digital. A Kodak entrou atrasada nesse mercado.
Para recuperar o tempo perdido, a empresa cortou custos, demitiu trabalhadores e tentou se reorganizar, mas não conseguiu evitar a concordata.
Com o pedido de recuperação judicial, a empresa ganha tempo para tentar uma nova reestruturação. Trata-se um esforço para não ficar somente nas lembranças de quem compartilhou a história da empresa.
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Leia também em The Wall Street Journal (Kodak pede concordata na esperança de se renovar).
Comentário meu: Não sei se arrogância empresarial, incompetência administrativa, vaidade dos líderes (alta liderança) ou falta de visão (exercício de visualizar o futuro e seus desdobramentos). Mas o caso Kodak, como tantos outros, é um bom exemplo para aprendermos com as falhas de outras empresas. Por mais de 30 anos tenho como hobby fotografia. Vivi (e ainda vivo) a transição da fotografia química para a digital. Jamais pude imaginar que a Kodak, como a Pan Am, um dia estivesse em uma situação de recuperação judicial. O sucesso de ontem ou de hoje não é garantia para o sucesso futuro. Se bem que a Kodak ainda tem o mercado de filmes de aplicação na medicina, como as radiografias. Até quando?